CPPC alerta <br>para escalada bélica <br>sem precedentes
Faz hoje precisamente 67 anos que os Estados Unidos da América (EUA) lançaram uma bomba atómica sobre a cidade japonesa de Nagasaki, depois de, três dias antes, terem feito o mesmo sobre Hiroxima. Dirigidos exclusivamente sobre populações civis, estes bombardeamentos revestiram-se de uma tal violência e crueldade que faz com que, ainda hoje, perdure na memória dos povos como uma das maiores barbáries cometidas na guerra mais violenta a que a humanidade foi sujeita.
«Para além das 250 mil mortes provocadas no imediato ou nos dias subsequentes, deixou sequelas graves, com a proliferação de doenças cancerígenas e malformações genéticas nas gerações vindouras, devidas a exposição à radiação e a substâncias radioactivas», refere, em nota de imprensa, o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), salientando que o «horror provocado por esta tragédia» contribuiu para «despertar consciências e mobilizar vontades para que esta não se viesse a repetir».
Exemplo disto foi o Apelo de Estocolmo, lançado em 18 de Março de 1950, pelo Conselho Mundial da Paz, para além das mais de 600 milhões de assinaturas recolhidas, que contribuiu para a aprovação do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), em 1968, a que aderiram, até hoje, 189 estados. Em 1996 foi aprovado o Tratado Geral da Proibição dos Ensaios Nucleares, cuja entrada em vigor depende da ratificação do Congresso dos EUA.
«Se é um facto que jamais bombas atómicas foram usadas em conflitos bélicos, a realidade é que a proliferação deste tipo de armamento não foi evitada. Além dos cinco estados nucleares, legalmente reconhecidos pelo TNP – EUA, Rússia, China, Reino Unido e França – também a Índia, o Paquistão e Israel são actualmente estados nucleares», denuncia o CPPC, informando que, segundo dados de 2011, existem no mundo 20 530 ogivas nucleares, «a maioria delas incomensuravelmente mais potentes do que as que foram lançadas sobre Hiroxima e Nagasaki».
Intervenção dos EUA
Entretanto, como referem as conclusões da Assembleia Mundial da Paz, realizada recentemente no Nepal, a humanidade está confrontada com uma escalada bélica sem precedentes desde a II Guerra Mundial. «Nos últimos anos assistimos à intervenção militar directa dos EUA e dos seus aliados na NATO em diversos países: Somália, Jugoslávia, Iraque, Afeganistão, Líbia e a uma intervenção, indirecta mas não menos violenta, contra a Síria», acusa o Conselho Português que, ao recordar os 67 anos sobre os bombardeamentos de Hiroxima e Nagasaki, «presta homenagem às vítimas inocentes desses ataques iníquos, saúda o movimento da paz japonês e apela aos defensores da paz em Portugal para, inspirados no exemplo dos subscritores do Apelo de Estocolmo há 50 anos, reforçarmos os nossos esforços pela construção de um mundo livre de armas nucleares e liberto das recorrentes agressões do imperialismo».